Fábrica Nacional de Motores
A Fábrica Nacional de Motores nasceu nos marcos dos acordos firmados entre o Brasil e os Estados Unidos, segundo os quais o Brasil permitiria a instalação de bases militares norte-americanas no Nordeste em troca de créditos e assistência técnica para a implantação da Companhia Siderúrgica Nacional e de outras indústrias.

Em 1939, o então Coronel Aviador Guedes Muniz convenceu o ministro da Viação e Obras Públicas, João Mendonça Lima, da viabilidade da criação de uma indústria de motores aeronáuticos no país.

Muniz argumentava que uma fábrica dessa natureza trabalharia com pequenas cadências de produção e que as dificuldades inerentes à sua instalação seriam menores do que as envolvidas com a produção de motores automotivos, uma vez que estes últimos exigiriam grandes escalas de produção.
O mercado seria constituído pela incipiente indústria aeronáutica nacional e pela força aérea que poderia utilizar os motores para reposição em seus aviões.

Muniz identificava na industrialização a solução para os grandes problemas econômicos e sociais que o país enfrentava. Para que o Brasil pudesse vencer "a miséria em que se debatia" era necessário que se tornasse um país industrial.
Getúlio Vargas visita a FNM. Guedes Muniz, com a farda branca dá explicações sobre o motor em construção Fonte: Arquivo Nacional
(1) A constituição de uma indústria de mecânica de precisão contribuiria para esse objetivo maior, através da introdução no país de novas técnicas e do uso de máquinas que mediam até um décimo de centésimo de milímetro, o que representava um fato novo na paisagem industrial brasileira dos anos 40.

Convencido da exeqüibilidade do projeto Mendonça Lima promoveu um encontro entre Guedes Muniz e Getúlio Vargas. Nessa reunião, ficou acertado que Muniz realizaria um estudo de viabilidade técnica e econômica do projeto.(2)
A fábrica deixou marcas profundos na localidade, que o tempo ainda não conseguiu apagar. Por onde se ande, ainda hoje é fácil notar a importância da FNM no crescimento do distrito.

As casas dos operários,vila Santa Alice e Operáraria, a 13 casas luxuosas dos engenheiros, o hotel construído em estilo italiano, a igreja nossa senhora
Aparelho Vultée da FAB decolando em 1945 com motor Wright fabricado sob licença pela Fabrica Nacional de Motores. Fonte: Arquivo Guedes Muniz
da graças e a delegacia ,o Hospital onde hoje é o inmetro, campo de aviação, morro do acampamento, moradia para os solteiros, colégios para os funcionários, clubes aliança e o piauí são alguns dos exemplos do que representou a passagem da fábrica para a região.

Em 1947, a FNM constrói os primeiros caminhões brasileiros, após ter assinado um contrato com a fábrica italiana Isota Franchini, que cedeu licença especial para a produção dos veículos. Quatro anos depois, a FNM firma contrato com a Alfa Romeu, de Milão, na Itália, e substitui os modelos ultrapassados pelos caminhões pesados: o Fenemê D-9300.

Na década de 60, a Fábrica Nacional de Motores lançou, em Brasília, o Alfa Romeu "JK", em homenagem ao presidente da República. O carro possuía seis lugares, motor quatro cilindros, 110 cavalos de potência, seis mil rotações e cinco marchas para frente. A queda na produção, o endividamento com o BNDES levou a venda da estatal para a Alfa Romeu, em 1968.

Durante oito anos, a Alfa Romeu produziu carros de tradição, que levavam a sua marca. Predominavam o arrojo e a elegância de suas linhas. O que agradava em cheio boa parte da elite brasileira.

Em 1976, a Fiat comprou as instalações da Alfa Romeu e iniciou um processo lento de modernização do parque industrial.
Em 1981, a Fiat mandou embora três mil funcionários e em seguida muda-se para Betim, Minas Gerais, acabando com quase 40 anos de riqueza e crescimento econômico da região.

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